sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Documentos indicam mesada de empreiteira a políticos e partidos

Polícia Federal concluiu a Operação Castelo de Areia - investigação sobre evasão de divisas e lavagem de dinheiro envolvendo executivos da Construtora Camargo Corrêa - e anexou ao relatório documento que pode indicar suposto esquema de pagamentos mensais a parlamentares e administradores públicos e doações "por fora" para partidos políticos.

O dossiê é formado por 54 planilhas que sugerem provável contabilidade paralela da empreiteira. Elas registram dados sobre 208 obras e contratos da Camargo Corrêa entre 1995 e 1998, espalhados por quase todo o País e também no exterior - Bolívia e Peru.

Os repasses teriam ocorrido naquele período em favor de deputados federais, senadores, prefeitos e servidores municipais e estaduais. Em quatro anos a empreiteira desembolsou R$ 178,16 milhões. Em 1995, segundo os registros, ela pagou R$ 17,3 milhões. Em 1996, R$ 50,54 milhões. Em 1997, R$ 41,13 milhões. No ano de 1998, R$ 69,14 milhões.

O Ministério Público Federal poderá requisitar à Justiça o envio à Procuradoria-Geral da República dos dados referentes a autoridades que detêm prerrogativa de foro perante o Supremo Tribunal Federal (STF). Outra medida será a abertura de vários inquéritos para investigar as obras.

Ano a ano, mês a mês, as planilhas são um histórico de relações da construtora, alvo maior da Castelo de Areia - missão integrada que a PF e a Procuradoria da República deflagraram na manhã de 25 de abril, ocasião em que foram capturados quatro dirigentes da Camargo Corrêa. Na residência de Pietro Bianchi, executivo da empreiteira, a PF recolheu a papelada. As anotações são datilografadas e não têm assinatura.

"Eu não conheço o documento, portanto não posso me pronunciar", disse o criminalista Marcio Thomaz Bastos, que coordena a defesa da Camargo Corrêa. Ele observou que o processo e o inquérito correm em segredo de Justiça. "É preciso lembrar que nessa mesma operação já foram divulgadas listas de nomes que depois se verificou dizerem respeito a doações absolutamente legais, declaradas à Justiça Eleitoral."

PLANILHAS

Desde junho, uma equipe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da Polícia Federal analisa as planilhas. O trabalho foi encerrado na semana passada e entregue ao Ministério Público Federal. A PF não se manifesta sobre a investigação.

O que reforça a suspeita de caixa 2 é o fato de que os números alinhados aos nomes dos  beneficiários estão grafados em dólares, com a taxa do dia e a conversão para reais. Na página 54, há quatro lançamentos em nome do deputado Walter Feldman (PSDB-SP). Cada registro tem o valor de US$ 5 mil, somando US$ 20 mil entre 13 de janeiro e 14 de abril de 1998. À página 21, outros 12 lançamentos associados ao nome Feldman, entre 26 de janeiro e 23 de dezembro de 1996 - US$ 5 mil por mês.

Em outro arquivo, página 18, valores ao lado da expressão "Palácio Band" - 4 anotações, entre 8 de fevereiro e 30 de setembro de 1996, somando US$ 45 mil, ou R$ 46.165. Na última planilha, página 54, na coluna "Diversos" constam nove registros, um assim descrito: "14 de setembro de 1998, campanha política, Aloísio Nunes, US$ 15.780." Em 10 de novembro de 1995 o então senador Gilberto Miranda teria recebido US$ 50 mil.

Na página 25, 29 lançamentos que somam US$ 2.389.927 relativos a obra da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), em 1997. Cinco vezes surge a expressão "presidente" acompanhada de quantias em dólar - 9 de maio, US$ 88,3 mil; 9 de julho, US$ 203,6 mil; 14 de agosto, US$ 202,5 mil; 9 de setembro, US$ 60 mil; 4 de dezembro, US$ 390,71 mil.

Cada página é dividida em 11 colunas, com dia, mês e ano dos pagamentos e a obra. Uma coluna, intitulada "cliente/órgão", identifica prováveis recebedores, entre autoridades e agremiações políticas. Outra cita nomes ou apelidos. "Turco", da obra "JK", em São Paulo, surge ao lado de oito lançamentos que somam US$ 3,7 milhões, entre 17 de agosto e 31 de dezembro de 1995 - a parcela maior, US$ 1,1 milhão, é de 27 de dezembro. Quatro dias mais tarde, "Turco" levou mais US$ 446,4 mil.

A planilha "CPA", página 14, revela quatro pagamentos em 1996, todos supostamente destinados a partidos, denominados "clientes". Os destaques são de 21 de março, US$ 20 mil para "líder do PMDB, Milton Montes"; 19 de julho, US$ 200 mil para PMDB-PFL; 24 de julho, US$ 200 mil para PSDB-SP; 13 de setembro, US$ 270 mil para PSDB/PMDB/PFL/PPB. Em 1998, mostra outra planilha "CPA", foram pagos US$ 1,52 milhão em 10 parcelas a PSDB, PFL, PMDB, PPB e PTB.Agencia Estado

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Tropa de Aécio vai para o front

MAL SAIU A PESQUISA CNT/Sensus, a tropa do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), foi para o front no Congresso e, no boca a boca, comemorou a possibilidade de ele ser lançado à Presidência da República em detrimento de José Serra, governador paulista. Hoje Serra vê seu índice cair.

Há quem diga que, se Serra cair mais cinco pontos até janeiro, ele vai à reeleição e abre caminho para Aécio. Não se surpreenderá aquele que apostar que, se assim for, PDT, PSB e até grande parte do PMDB seguem Aécio. Por ora, nessa batalha, tudo são previsões. Mas os generais esboçam cenários cada vez mais latentes nesse campo de alianças.

De Luiz Inácio Lula da Silva, para um deputado amigo, em encontro recente: “Vou eleger Dilma no primeiro turno”.

Governo reduz IPI de móveis até março de 2010

O governo anunciou que os fabricantes de móveis e materiais de construção serão beneficiados pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). No caso dos móveis, é a primeira vez que essa carga é reduzida para zero até 31 de março de 2010. Para materiais de construção, houve prorrogação até 30 de junho do ano que vem da vantagem que valeria até 31 de dezembro. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, revelou que a renúncia fiscal é de R$ 903 milhões, sendo R$ 686 milhões dos materiais de construção e R$ 217 milhões para os móveis.

Mantega explicou que a medida para os móveis foi tomada porque esse setor vem se recuperando mais lentamente da crise, que prejudicou muito suas exportações. Além disso, afirmou que o momento é propício ao consumo porque os trabalhadores vão receber o 13º salário. "Essa desoneração facilita a formalização das empresas. Espero que o setor faça campanhas para vender mais e reduza suas margens de lucro repassando ao consumidor a redução do IPI."

No caso dos materiais de construção, Mantega disse que era uma reivindicação do setor, porque o processo de reformas e construção de casas é mais demorado. O ministro comentou que o Brasil vive um "boom" nesse setor porque, além da atividade mais intensa, há o programa Minha Casa, Minha Vida, que agora está entrando na fase das construções.

O objetivo dessas desonerações, segundo Mantega é consolidar a recuperação da indústria e atrair mais investimentos ao país. Na terça-feira, ele anunciou a prorrogação da redução do IPI para automóveis e caminhões com motores flex. "Estamos de olho no investimento que ainda não se recuperou. Ele é a base do crescimento e estamos dando uma base sólida aos empresários", avaliou.

Deve ser publicado hoje o decreto que reduz o IPI para 38 materiais de construção, além de móveis, assentos e painéis. A lista é extensa para a construção, mas beneficia, por exemplo, cimentos, tintas, vernizes, argamassa, banheiras, ladrilhos, pias, vergalhões, dobradiças, válvulas para escoamento, disjuntores, interruptores e chuveiros elétricos. A maioria desses itens continua com alíquota zero de IPI, com exceção de outras guarnições e ferragens (5%), outros interruptores (5%), disjuntores (10%), aditivos para cimentos (5%), indutos para pintura (2%) e mástique de vidraceiro (2%).

No caso dos móveis, os seis meses de benefícios tributários (alíquota zero de IPI) significaram reduções de 10% para assentos e suas partes, móveis de metal, plástico e ratã, vime ou bambu e painéis de partículas. As alíquotas anteriores eram de 5% para móveis de metal de cozinha e móveis de madeira.

O ministro da Fazenda revelou que a desoneração tributária de materiais escolares é um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ainda não há uma decisão técnica. Ele também prometeu aos empresários que vai desonerar a folha de pagamento das empresas, mas ponderou que isso depende da recuperação da arrecadação em 2010. A ideia é reduzir gradativamente a contribuição patronal sobre a folha de salários dos atuais 20% para 14%. O problema é o custo dessa redução. Cada ponto percentual representa R$ 4 bilhões menos no caixa da Previdência Social.

O Grupo Pão de Açúcar anunciou ontem que vai baixar o preço dos móveis vendidos nas lojas da rede já a partir de hoje. As lojas do Ponto Frio, Extra e Extra Eletro oferecerão mais de 600 itens com desconto de até 25%, informou o grupo. A empresa espera que a medida de desoneração anunciada pelo governo impulsione a venda dos produtos da categoria em até 30% neste fim de ano, em relação ao igual período do ano anterior. O grupo pretende contratar mais de 6 mil trabalhadores até dezembro.

Segundo Ramatis Rodrigues, vice-presidente-executivo do Grupo Pão de Açúcar, a expectativa é de que sejam lançadas mais promoções e aumente o número de parcelas para facilitar o pagamento e sorteio de eletrodomésticos. Sobre os produtos da linha branca que tiveram a desoneração tributária reduzida ou suspensa, Rodrigues disse que os preços anteriores serão mantidos até o fim dos estoques.

Fundo soberano pode ajudar na meta de superávit

O secretário do Tesouro, Arno Augustin, não descarta o uso de parte dos recursos do fundo soberano para cumprir a meta de R$ 42,7 bilhões estabelecida para o superávit primário do governo central. Apesar, disso, avalia que o mais provável é apenas abater os valores pagos no Projeto Piloto de Investimento, agora acrescidos dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Somados o PPI e o PAC, o limite da lei orçamentária, para 2009, é de R$ 28,5 bilhões, mas o governo pagou somente R$ 11,42 bilhões de janeiro a outubro. Para Augustin, o governo não vai chegar ao limite de R$ 28,5 bilhões, mas espera que esses investimentos fiquem bem acima dos R$ 11,4 bilhões.

O comentário foi feito na divulgação do resultado fiscal do governo central - Tesouro, Banco Central e Previdência. O superávit primário foi de R$ 11,28 bilhões em outubro, o que significa o melhor desempenho desde outubro de 2008. Um ano atrás, houve superávit de R$ 14,86 bilhões. Nos dez meses deste ano, o superávit acumulado está em R$ 27,56 bilhões, muito longe da meta de R$ 42,7 bilhões estabelecida para 2009.

Segundo Augustin, a arrecadação do ano que vem não voltará ao nível de 2008, mas ele acredita que o crescimento real da receita será maior que os 5% esperados para o aumento do Produto Interno Bruto (PIB). No lado do gasto, o secretário do Tesouro diz que não trabalha com novos descontingenciamentos neste ano, porque "há um primário a cumprir". Ele também afirmou que a maior parte das desonerações tributárias já foi feita.

O secretário ressaltou que, de janeiro a outubro, o crescimento nominal das despesas de capital (19,5%) já superou o aumento dos gastos de custeio (18,4%). A comparação é com igual período de 2008. Para ele, essa tendência positiva será mantida em 2009. A maior expansão, 30,7%, foi verificada nas despesas do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Com relação às receitas do governo central, houve queda nominal de 1,1%, mas as despesas elevaram-se 16,5% nesses dez meses.

O investimento total (pagamentos) chegou a R$ 23,94 bilhões, o que significa crescimento nominal de 20% sobre igual período do ano passado. Isolando-se apenas os pagamentos realizados no âmbito de PPI/PAC, o valor acumulado de janeiro a outubro foi de R$ 11,42 bilhões, o que mostra elevação de 34%.

Na Previdência Social, outubro registrou déficit de R$ 2,77 bilhões, resultado da arrecadação de R$ 14,86 bilhões e pagamento de benefícios de R$ 17,64 bilhões. De janeiro a outubro, o Regime Geral da Previdência Social acumula déficit de R$ 41,5 bilhões.

As receitas do Tesouro alcançaram R$ 54,44 bilhões em outubro, mas esse valor foi elevado graças à contabilização de R$ 5 bilhões em depósitos judiciais, que foram transferidos da Caixa Econômica Federal para a conta única do Tesouro. Para Augustin, o governo fez o que devia fazer para enfrentar a crise e isso tem um preço fiscal representado por um superávit primário menor neste ano. "Estava nos planos e estamos tranquilos. Temos o melhor desempenho fiscal do G-20. Se a queda da atividade fosse maior, a economia sofreria por mais tempo."

A arrecadação previdenciária de R$ 14,864 bilhões registrada em outubro é um valor recorde mensal (com exceção doso meses de dezembro) desde 1923, informou o Ministério da Previdência Social. O secretário de Políticas Sociais, Helmut Schwarzer, sublinhou que "a melhoria da receita tem a ver com o bom momento do mercado de trabalho". A taxa de crescimento da receita em outubro sobre o mesmo mês de 2008 foi de 6,5%.

Além do emprego formal, também influenciaram fatores como a recuperação de créditos, cujo pagamento de atrasados subiu a R$ 806 milhões, ante R$ 556 milhões em setembro.

Especialistas debatem internação de crianças e adolescentes em SP

Especialistas debateram hoje (25), em São Paulo, problemas enfrentados por internos e ex-internos da antiga Febem, hoje denominada Fundação Casa. As discussões ocorreram por ocasião do aniversário de 10 anos da Associação de Mães e Amigos de Crianças e Adolescentes em Risco (Amar).

O defensor público Flávio Frasseto, coordenador do Atendimento à Criança e ao Adolescente da Defensoria Pública de São Paulo, chamou a atenção para a mudança da localização das unidades de internação dos jovens da capital para o interior.

“A gente sabe que Fundação Casa está passando por um processo de desconcentração, de interiorização das unidades, e aí o controle que a gente tinha, pelo menos processual, dos casos quando eram na capita,l a gente perdeu. O prejuízo é muito grande”, disse.

O promotor de Justiça, Wilson Tafner, que atuou na Vara da Infância e da Juventude, defendeu mais investimentos em cursos profissionalizantes para os jovens e projetos de inclusão. “Não temos ainda hoje um projeto adequado de profissionalização e inclusão de jovens no mercado de trabalho. Isso é uma das coisas que mais incentiva nossa adolescência e juventude a seguir pelo caminho do crime. Há falta de possibilidade de um jovem conseguir um trabalho formal para ganhar um salário mínimo, quando numa sexta-feira à noite ele ganha R$ 700, R$ 800 ou R$ 1 mil numa boca de fumo”, afirmou.

O representante da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Marcus Vinicius Almeida Magalhães, questionou até que ponto a internação dos jovens pode se revelar como uma estratégia acertada voltada à sócioeducação. "Até que limite a internação, em vez de emancipar esse indivíduo e garantir os direitos dele, não faz exatamente o oposto?".

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

PT planeja usar candidatura de Ciro em SP para acabar com domínio do PSDB no Estado

O presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra (SE), defendeu nesta quarta-feira que os partidos da base do governo Lula no Congresso Nacional se empenhem para consolidar uma aliança capaz de acabar com o domínio do PSDB na capital paulista que já dura 16 anos. Dutra afirmou que o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) continua sendo uma alternativa que precisa ser considerada por todos os partidos de oposição ao governo Serra.

Ciro que já transferiu o título de eleitor para São Paulo, mas insiste em disputar a Presidência da República.

"O que eu tenho dito é que confio plenamente na capacidade, sagacidade política dos dirigentes do PT em São Paulo. Eu entendo que essa possibilidade do Ciro e tem que ser considerada pelo conjunto dos partidos que são oposição em São Paulo e que são base do governo Lula. Ele tem plenas condições eleitorais de voto, credibilidade para ser candidato em são Paulo", disse.

Segundo Dutra, a ideia é que os partidos continuem a conversa para uma grande coalizão sem a definição de um nome. "Houve reunião e acredito que vai continuar o processo de conversa, sem estabelecer quem será cabeça da chapa, PT pode lançar um nome para ser analisado, um PSB, se apresentar o Ciro, será analisado sem qualquer preconceito para tentarmos construir uma aliança em São Paulo com palanque forte para acabar com comando do estado de São Paulo pelo PSDB que já dura 16 anos", afirmou.

Em meio às negociações com o PT paulista, Ciro também trabalha para ganhar espaço no cenário nacional. Na semana passada, se aproximou de um dos presidenciáveis tucano, o governo Aécio Neves (Minas Gerais) e chegou a dizer que desistiria do Planalto se o mineiro estivesse na disputa.

Para o atual presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), essa aproximação não preocupa porque Ciro é especialista em criar "fato político"."[Nos] agrada porque o Ciro tem a capacidade de criar fatos políticos, agora, o que acontece no PSDB é problema do PSDB", disse.

Para Berzoini, é difícil visualizar uma aliança do PSB com PSDB."A gente acha bom que uma pessoa como Ciro, bom, astuto, faça movimentações, embora para nós, Aécio e Serra representem o mesmo projeto, o projeto neoliberal. Então, para nós, não há diferença de projeto, embora em termos de personalidade, a gente reconheça que há diferenças", afirmou.Folha

Lula envia apoio a Mujica antes de eleição no Uruguai

Pela segunda vez em seis anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou partido por um candidato à presidência do Uruguai. Tal como havia feito em 2003, quando apoiou o então candidato socialista Tabaré Vázquez, Lula declarou apoio ao ex-guerrilheiro tupamaro José "Pepe" Mujica, da governista coalizão Frente Ampla, de centro-esquerda, que no domingo disputará o segundo turno das eleições contra o ex-presidente Luis Alberto Lacalle, do Partido Nacional, de centro-direita.

A declaração de apoio foi dada por Olívio Dutra, ex-governador do Rio Grande do Sul, ex-ministro e atual presidente do PT gaúcho, que se reuniu com Mujica durante duas horas no Hotel NH Columbia, em Montevidéu. "Lula tem a certeza de que em um segundo governo da esquerda uruguaia, comandada por Mujica, a relação entre nossos povos será mais produtiva e rica, especialmente na área do Mercosul", disse Dutra.

Segundo ele, Mujica "é uma figura emblemática, carismática, capaz de trabalhar na diversidade e pluralidade de ideias e construir consenso", além de "partilhar semelhanças" com o presidente Lula, "que é uma figura com grande capacidade de diálogo".

Diante do respaldo de Lula, a oposição no Uruguai optou pelo silêncio. Assessores de Luis Lacalle explicaram por telefone ao Estado que nem o candidato nem o partido comentariam o assunto. Mujica é o favorito e conta com cerca de 48% das intenções de voto. Lacalle teria entre 40% e 42%. Mujica, em diversas ocasiões, declarou que se identifica mais com Lula do que com o bolivarianismo do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

INFLUÊNCIA

Em 2003, o presidente Lula irritou o então presidente uruguaio Jorge Batlle ao participar de um comício informal com o então líder oposicionista Tabaré Vázquez, um socialista moderado que era candidato nas eleições presidenciais uruguaias daquele ano.

Lula participou de um ato político da sacada da prefeitura de Montevidéu, acenando para centenas de militantes. Na época, o chanceler uruguaio, Didier Opertti, afirmou que a participação de Lula foi "infeliz" e "poderia ter sido evitada". O então vice-presidente do Uruguai, Luis Hierro López, disse que Lula havia "politizado de forma indevida o encontro com o líder da oposição".

Plano Nacional de Internet de Banda Larga pode ser fechado dentro de três semanas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta a se reunir dentro de três semanas com ministros e assessores para tentar fechar o Plano Nacional de Banda Larga, que tem como objetivo ampliar o acesso da população de baixa renda aos serviços de internet em alta velocidade.

A secretária executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, e o coordenador de Inclusão Digital da Presidência da República, Cezar Alvarez, apresentaram hoje (24) a primeira versão do plano ao presidente. Mas, conforme assessores, Lula pediu aperfeiçoamento de alguns pontos.

Uma ideia que tem ganhado força no governo é que a Telebrás fique com a administração do projeto. Entre os pontos em aberto estão a fonte de recursos, ou seja, quanto será necessário para colocar o plano em prática e de onde virá, e como será feito o acesso, por meio de rede estatal ou privada. Um hipótese em estudo é a desoneração fiscal para aparelhos com o intuito de facilitar a expansão da rede.

O plano prevê metas para 2010, 2012 e 2014, ano em que o Brasil sediará a Copa do Mundo. De acordo com dados divulgados pelo Ministério das Comunicações, a proposta é aumentar para 30 milhões o número de acessos nas áreas rurais e urbanas em cinco anos. Um levantamento feito pela pasta mostra que em dezembro de 2008 a banda larga fixa atingia 9,6 milhões de pessoas.

A previsão é de que o plano seja instituído por meio de decreto presidencial. Medidas complementares ao projeto devem usar outro mecanismo da legislação.

Participaram da reunião de hoje com o presidente Lula os ministros Hélio Costa, das Comunicações, Paulo Bernardo, do Planejamento, Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, Guido Mantega, da Fazenda, Fernando Haddad, da Educação, e Sérgio Rezende, da Ciência e Tecnologia, além de representantes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e da Advocacia-Geral da União (AGU).

EUA apoiam eleição em Honduras e deixam o Brasil "decepcionado"

O Brasil explicitou ontem a divergência com os EUA em relação a Honduras. O assessor internacional da Presidência, Marco Aurélia Garcia, se disse "frustrado e decepcionado" com a decisão do governo Barack Obama de reconhecer a eleição em Honduras mesmo sem o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya.

A posição americana, que já era conhecida, mas que não tinha sido formalizada por Washington, ficou clara numa carta enviada por Obama ao presidente Luis Inácio Lula da Silva no domingo. Nela, segundo Garcia, Obama diz que as eleições vão "zerar" a crise política em Honduras.

"Até agora há um certo sabor de decepção que nós esperamos que seja revertido", disse Garcia. "Isso está provocando uma certa frustração", acrescentou.

Obama se recusou a apoiar a proposta de adiamento das eleições hondurenhas, feita pelo Brasil. As autoridades brasileiras esperavam ganhar tempo para que os negociadores de Zelaya e do presidente interino, Roberto Micheletti, pudessem chegar a um acordo que restituísse o presidente deposto ao poder. Desde que retornou a Honduras, em 21 de setembro, Zelaya continua entrincheirado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

O governo brasileiro mantém a posição de não reconhecer as eleições. Lula também já reafirmou que o Brasil não mudará a postura diplomática, não reconhecendo também o governo que sairá das eleições do próximo domingo.

A Argentina e a Espanha assumiram abertamente uma posição semelhante nos últimos dias.

Analistas creem que, após a posse do presidente eleito em Honduras, em 27 de janeiro, a tendência é de os países gradativamente reconhecerem o governo do país, já que o mandato de Zelaya já teria expirado de qualquer maneira - o que tornaria impossível exigir sua volta.

Apesar de não falar em um "racha" em relação a Washington, o governo brasileiro já começa a fazer críticas maiores em relação ao governo de Barack Obama.

Para Garcia, o clima positivo criado com a eleição de Obama "começa a se desfazer". Para ele, os EUA podiam ter feito mais pressão do que fizeram pela volta de Zelaya. "Eles poderiam ter utilizado pressões mais fortes, como usaram em outras situações." Garcia disse ainda que no caso da crise política hondurenha "há um nítido desacordo (dos EUA) com o Brasil".

O presidente de fato de Honduras, Roberto Micheletti, já havia dito que confiava no reconhecimento dos EUA em relação às eleições. "O Panamá já disse que nos reconhece. Os EUA irão nos reconhecer. Dois países que são importantes para nós: um próximo na região; o outro, o país mais poderoso do mundo", disse.

A carta de Obama também teria tratado de conferência climática a ser realizada mês que vem em Copenhague e da Rodada Doha de negociações comerciais.

Com relação à conferência do clima, Garcia criticou a falta de iniciativa dos EUA e o fato de o país não apresentar compromissos claros.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Presidente do PSDB Sérgio Guerra avisa "Vamos esconder Fernando Henrique Cardoso em 2010"


A cúpula do PSDB vai "esconder" o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na campanha presidencial de 2010. Assim como ocorreu na última eleição municipal, em que candidatos tucanos como o prefeito de Curitiba, Beto Richa, até "dispensaram" a participação de FHC no programa eleitoral de televisão, dirigentes do PSDB e do DEM dizem que ele não é candidato e o PT não vai transformá-lo em personagem na eleição. A oposição diz que não está preocupada com a tática petista de colar FHC à imagem do governador paulista e pré-candidato ao Planalto, José Serra.

Nos bastidores, DEM e PSDB admitem que FHC tem problemas de rejeição. Mas o tucanato diz ter pesquisas qualitativas comprovando que a estratégia de trazer o governo FHC para a campanha não produzirá impacto negativo, como avalia o PT.

A reação da oposição foi provocada pela divulgação da pesquisa CNT/Sensus, revelando que um candidato indicado por FHC, independentemente de nomes, tem a aceitação de 3% do eleitorado - frente aos 50,1% dos que disseram que votam em nome indicado por Lula.

No PSDB, a pesquisa que vale é outra. Em levantamento feito pelo partido, Serra, "o ex-ministro da Saúde apoiado por FHC", foi confrontado com "a candidata Dilma e ministra da Casa Civil, apoiada por Lula" e, segundo um tucano que disse ter visto os números-- e só ele viu--, o governador ainda estaria 15 pontos porcentuais à frente da petista.

"Essa rejeição ao Fernando Henrique é uma tremenda injustiça, mas não é novidade para nós", diz o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). "Esse quadro a gente já esperava", concorda o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). Ele entende que cabe à oposição "olhar a pesquisa por dentro" e identificar os pontos fracos da gestão Lula que não atingiram a avaliação do governo.

O senador Sérgio Guerra comentou que Serra e o governador de Minas, Aécio Neves, são conhecidos, já disputaram e venceram eleições, além de serem " administradores testados e aprovados" pela população. "A diferença é que nossos pré-candidatos têm biografia, independentemente de padrinhos, enquanto Dilma não tem DNA de candidato, porque não tem vida própria nem existiria, não fosse o apoio de Lula", declarou o deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO).